{"id":579,"date":"2009-09-02T02:37:21","date_gmt":"2009-09-02T02:37:21","guid":{"rendered":"http:\/\/web.ist.utl.pt\/rmch\/?p=579"},"modified":"2011-11-09T19:46:11","modified_gmt":"2011-11-09T19:46:11","slug":"deolinda-recriam-imaginario-dos-penichenses","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/web.ist.utl.pt\/rmch\/archives\/579","title":{"rendered":"Deolinda recriam imagin\u00e1rio dos penichenses"},"content":{"rendered":"<p>Os Deolinda iluminaram, no passado dia 22 de Agosto, a pra\u00e7a-forte de Peniche com um ser\u00e3o onde letras e voz devolveram um novo olhar sobre o quotidiano portugu\u00eas.<br \/>\nS\u00e3o 22h30. O palco, ainda que cru, convida ao j\u00e1 bem nosso conhecido universo Deolinda. Acendem-se as luzes. O palco \u00e9 pisado com a simplicidade de quem \u00e9 humilde (ou de quem repete o n\u00famero in\u00fameras vezes). O sorriso de Ana Bacalhau conquista o p\u00fablico. E \u00e9 assim que somos convidados a viajar por uma realidade que nos \u00e9 pr\u00f3xima, mas que ganha uma nova dimens\u00e3o e sentido nas letras e composi\u00e7\u00f5es de Pedro da Silva Martins e na voz de Ana Bacalhau. Os Deolinda conseguem exaltar o vulgar como movimento e arte. Ouvi-los \u00e9 um convite \u00e0 fuga interior.<\/p>\n<p>Ana Bacalhau, relembrando o facto que levou ao cancelamento do \u00faltimo concerto na cidade, iniciou o concerto fincando que nenhum temporal capaz de fustigar Peniche naquela noite impediria os Deolinda de se entregarem na sua actua\u00e7\u00e3o. E assim foi. Com a garra que j\u00e1 conhecemos em Ana Bacalhau, fizeram-se ouvir os hinos ao portuguesismo com a exalta\u00e7\u00e3o do conformismo (em <em>Mal por Mal<\/em>), do comodismo e desresponsabiliza\u00e7\u00e3o (em <em>Movimento Perp\u00e9tuo Associativo<\/em>), da vaidade e idolatria (em <em>Contado Ningu\u00e9m Acredita<\/em>), do grosseiro (em <em>Fado Toninho<\/em>) e do romantismo absurdo (em <em>Fon Fon Fon<\/em>).<br \/>\nAinda em ritmo acelerado, nota positiva para a interpreta\u00e7\u00e3o fervorosa de <em>Quando Janto em Restaurantes<\/em>, onde o vigor de quem assiste transborda no mote, e para o universo provinciano e sugestivo encerrado na letra de <em>Ai Rapaz<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/palcoprincipal.sapo.pt\/fotos_noticias\/Image\/Setembro%202008\/DEOLINDA.jpg\" title=\"deolinda\" class=\"alignnone\" width=\"700\" height=\"465\" \/><\/p>\n<p>Os momentos altos da noite aconteceram em tr\u00eas momentos. Primeiro, <em>Lisboa N\u00e3o \u00e9 a Cidade Perfeita<\/em>, onde a genialidade de Silva Martins foi particularmente not\u00f3ria ao evocar a saudade e a loucura consentida (&#8220;Ainda bem que eu nunca fui capaz de encontrar a viela a seguir&#8221;), os sentimentos mais nossos. Segundo, <em>N\u00e3o Sei Falar de Amor<\/em>, onde as notas e vibra\u00e7\u00f5es da voz de Ana Bacalhau se confundiam com o baixo inspirado de Z\u00e9 Pedro Leit\u00e3o tornando este momento num mote \u00e9pico progressivamente afundando-nos em timidez (&#8220;Quanto mais o amor medra mais se afoga o desvario. E retrai-se o atrevimento a pequenas bolhas de ar&#8230; E o querer deste meu corpo vai sempre parar ao mar&#8230;&#8221;). \u00daltimo destaque para <em>Entre Alvalade e as Portas de Benfica<\/em> pelos vocais e composi\u00e7\u00e3o, que tornaram poss\u00edvel tornar um caso de amor improv\u00e1vel numa letra sobre melancolia e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O concerto ainda teve espa\u00e7o para um duo com a guitarra cl\u00e1ssica de Lu\u00eds Martins em <em>Eu Tenho um Melro<\/em>, para uma casa de fados com sabor a samba, para uma entrega \u00fanica e arrepiante na interpreta\u00e7\u00e3o de <em>Clandestino<\/em> e o <em>Fado N\u00e3o \u00e9 Mau<\/em> e, ainda, para a inclus\u00e3o do fado <em>\u00c9 ou N\u00e3o \u00c9<\/em> de Am\u00e1lia (cujo privil\u00e9gio de inclus\u00e3o parece ser entendido mais como popular do que fado e que, por isso, n\u00e3o tem a minha prefer\u00eancia). Fora do alinhamento ficaram alguns in\u00e9ditos n\u00e3o editados e particularmente interessantes como <em>Fado Not\u00e1rio<\/em> ou a <em>Marcha da Vida<\/em>. <\/p>\n<p>Apesar de todos ingredientes, a aparente apatia do p\u00fablico (ecos de um jogo de futebol? harm\u00f3nico!) e a falta de improviso nas melodias e nas introdu\u00e7\u00f5es a temas impediram elevar este concerto \u00e0 epopeia. Que bom seria ver os Deolinda recriando-se perante uma plateia e um local. Tornando mais pr\u00f3pria e verdadeira a sua arte e premiando os seus ouvintes. Na passada noite, um conjunto de letras e composi\u00e7\u00f5es inspiradas e uma voz de mil texturas foram um pretexto mais que suficiente para me evadir por duas horas e regressar com um sorriso complacente&#8230; afinal sou portugu\u00eas!<\/p>\n<h5 class=\"rating_bar\">\n<div style=\"width:80%\"><\/div>\n<p> (16\/20)<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Deolinda iluminaram, no passado dia 22 de Agosto, a pra\u00e7a-forte de Peniche com um ser\u00e3o onde letras e voz devolveram um novo olhar sobre o quotidiano portugu\u00eas. S\u00e3o 22h30. O palco, ainda que cru, convida ao j\u00e1 bem nosso conhecido universo Deolinda. Acendem-se as luzes. 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